28 de Fevereiro, 2026 17h02mCidadania

Legado do Código Eleitoral de 1932, conquista do voto feminino completa 94 anos

O dia 24 de fevereiro de 1932 entrou para a história do Brasil como o momento em que a cidadania ganhou contornos mais justos e representativos. Há 94 anos, foi instituído o primeiro Código Eleitoral(Decreto nº 21.076/1932) do país.

O dia 24 de fevereiro de 1932 entrou para a história do Brasil como o momento em que a cidadania ganhou contornos mais justos e representativos. Há 94 anos, foi instituído o primeiro Código Eleitoral(Decreto nº 21.076/1932) do país. Além de marcar a criação da Justiça Eleitoral, o documento garantiu às mulheres os direitos de votar e de serem votadas em todo o território nacional. Por isso, nessa data também se comemora o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil, instituído em 2015 pela Lei nº 13.086.

Hoje, os números evidenciam a dimensão dessa transformação. Segundo a página Estatísticas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o país possui 82.362.730 eleitoras, o equivalente a 52,86% do eleitorado nacional, que é superior a 155 milhões de pessoas. Os homens representam 47,13%. Em São Paulo, a força feminina também é predominante. No estado, são 17.892.280 eleitoras, o que representa 53,27%, frente aos 46,70% dos homens.

Participação feminina na política

 

O crescimento das candidaturas indica avanços graduais, mas o cenário ainda impõe desafios. Nas eleições gerais de 2022, 9.890 mulheres registraram candidatura no país, segundo o TSE, o que correspondeu a 33,8% do total. Os homens permaneceram maioria, com 19.343 candidaturas, equivalentes a 66,10%. Em comparação, nas eleições de 2018, 9.204 mulheres se candidataram, mobilizando 31,57% do total.

 

Um dos principais instrumentos de estímulo à participação feminina é a política de cotas prevista na Lei nº 9.504/1997. A norma estabelece que cada partido ou federação deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada gênero para os cargos proporcionais, regra que se tornou obrigatória a partir de 2009. Além disso, decisões da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal (STF) reforçaram, nos últimos anos, a obrigatoriedade de destinação proporcional de recursos do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda para candidaturas femininas.

 

Em 2018, o STF determinou, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5617, que recursos e tempo de propaganda também sigam a proporcionalidade das candidaturas negras, ampliando as políticas de inclusão eleitoral. Já em 2025, o TSE estabeleceu o marco temporal para a alternância de gênero na escolha de juízes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), por intermédio da Resolução TSE nº 23.746. A medida prevê critérios de paridade entre homens e mulheres, bem como de representatividade étnico-racial nas listas tríplices, para preencher cargos de juiz efetivo dos TREs na classe da advocacia. 

 

A representação feminina no Brasil, apesar dos mecanismos existentes para promovê-la, ainda está abaixo da média global. Segundo dados de 2025 da ONU Mulheres, o país ocupa a 133ª posição no ranking mundial de representação de mulheres em parlamentos nacionais. Contudo, a situação é ligeiramente melhor nos ministérios, onde as mulheres comandam 10 das 31 pastas atualmente, o que equivale a 32,3% dos cargos.

Mulheres que abriram caminho

Muito antes da consolidação do Código Eleitoral, mulheres já desafiavam as barreiras legais e culturais para garantir espaço na vida pública. Entre elas está Bertha Lutz, nascida em 1894, advogada e bióloga que se consolidou como uma das principais lideranças do movimento sufragista no Brasil. Reconhecida como a maior articuladora da luta pelos direitos políticos femininos no país, teve papel decisivo na mobilização que culminou na conquista do voto e, posteriormente, atuou como deputada federal, defendendo pautas ligadas à educação e à igualdade de direitos.

Publicidade

O legado de Bertha tem reconhecimento internacional e atualmente faz parte do programa Registro da Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Primeira eleitora do país

 

Em 1927, ocorreu um evento histórico significativo: a professora Celina Guimarães Viana, de Mossoró (RN), alistou-se, tornando-se a primeira eleitora brasileira. Esse marco foi alcançado após uma alteração na legislação estadual que removeu a distinção de gênero para o alistamento.

 

Outro momento simbólico e pioneiro foi a eleição de Alzira Soriano para a Prefeitura de Lajes (RN), em 1928. Com cerca de 60% dos votos, de acordo com o TSE, ela se tornou a primeira mulher a comandar um município no Brasil e uma das primeiras em toda a América Latina.

Cenário estadual

Atualmente, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) abriga a maior bancada feminina de sua história, com 27 deputadas eleitas para a legislatura 2023-2027, assumindo 28% do plenário. Já no Governo de São Paulo, até o momento, nenhuma mulher assumiu o comando do estado.

Em 2026, as mulheres poderão se candidatar às vagas de deputada federal, deputada estadual, senadora (1ª e 2ª vagas), governadora e presidente da República, conforme prevê o calendário eleitoral.

Publicidade

Notícias relacionadas

30 anos da urna eletrônica: tecnologia de votação é adotada em ao menos 34 países

Às vésperas de completar três décadas de utilização, o sistema eletrônico de votação brasileiro chega às  Eleições Gerais de 2026  consolidado como um dos principais pilares de fortaleci

21 de Fevereiro, 2026

30 anos da urna eletrônica: tecnologia de votação é adotada em ao menos 34 países

Às vésperas de completar três décadas de utilização, o sistema eletrônico de votação brasileiro chega às  Eleições Gerais de 2026  consolidado como um dos principais pilares de fortaleci

31 de Janeiro, 2026

Eleição do Conselho Municipal de Política Cultural define nova diretoria

A eleição da nova diretoria do Conselho Municipal de Política Cultural foi realizada na sala de reuniões do Centro Cultural Dr. Edílio Ridolfo (Teatro Municipal),   na noite de quinta-feira, dia

28 de Fevereiro, 2026