Saúde: rotina de festas no Carnaval exige cuidados
“Fevereiro, alegria, muita festa todo dia”.

“Fevereiro, alegria, muita festa todo dia”. Esse verso clássico da música da cantora baiana Ivete Sangalo ilustra bem o carnaval no Brasil. No meio desta diversão que movimenta a população, os cuidados com a saúde não podem ser deixados de lado, orienta a médica infectologista Marina Da Rós Malacarne. “Muitas doenças são comuns no carnaval, dentre elas as que se transmite por contato íntimo. Gripes e outros resfriados são transmitidos por via respiratória ao tocar ou beijar uma pessoa infectada”, comenta.
Para evitar o contágio dessas doenças e também das conjuntivites, a recomendação da médica é manter os cuidados de higiene em dia e lavar sempre as mãos com água e sabão ou álcool. “Principalmente após limpar os olhos ou entrar em contato com secreções”, destaca. Para quem aproveita a folia para beijar muito, o alerta fica por conta da mononucleose infecciosa, conhecida como doença do beijo – síndrome causada pelo vírus Epstein-Bar, da família do Herpes.
“A mononucleose é contraída através da tosse, beijo, espirro e objetos levados à boca, como talheres, copos e escovas de dente. Dentre os sintomas, estão dores de garganta, de cabeça, nas articulações e musculares, ínguas pelo corpo, mal-estar, cansaço, falta de apetite, náuseas, febre e calafrios”, relata.
Sexo seguro
O termo DST foi substituído pelo IST, mas o sentido é o mesmo: Infecções Sexualmente Transmissíveis. E o alerta de prevenção também: é fundamental o uso de preservativos em todas as relações sexuais.
“No carnaval os foliões devem ficar atentos nas infecções sexualmente transmissíveis. Doenças como a tricomoníase, gonorreia, clamídia, cancro mole, herpes, sífilis, HPV, HIV e hepatites virais podem ser consequência do sexo não protegido. Para prevenir esses males, é necessário usar o preservativo em todas as relações sexuais”, orienta a médica.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil teve um aumento de 21% de novos casos de infecções por HIV entre os anos de 2010 e 2018, indo na contramão da tendência do restante do mundo, cuja média foi um registro de queda de 16%. Para combater essa epidemia, é possível lançar mão das estratégias de prevenção combinada que, conforme explica Marina, são alternativas complementares para evitar o contágio com o vírus HIV.
“Entre essas estratégias de prevenção combinada, destacam-se o uso do Tratamento como Prevenção (TCP) que faz com que os indivíduos com HIV alcancem um nível de carga viral indectável, reduzindo as chances de transmitir o vírus à outra pessoa; a Profilaxia Pós-exposição (PEP), que é a utilização de medicamento antirretroviral para evitar que o vírus se estabeleça no organismo após exposição ao risco e que deve ser iniciada em até 72 horas após o contato; e a Profilaxia Pré-exposição (PrEP), que é o uso de medicamento antirretroviral por pessoas que não estão infectadas, mas que têm risco de infecção, ele evita que, caso haja contato, o vírus não consiga se estabelecer. “Assim como o preservativo, tratam-se de opções no leque de estratégias que compõem a prevenção combinada ao HIV”, explica.
E o coronavírus?
O Ministério da Saúde divulgou comunicado informando que, “no momento, não há comprovação que o novo coronavírus esteja circulando no Brasil, portanto não há precauções adicionais recomendadas para o público em geral”.
A infectologista do São Bernardo Apart Hospital destaca que “a grande aglomeração de pessoas num espaço restrito, junto com alimentação majoritariamente inadequada, desidratação e falta de sono, criam as condições ideais para o alastramento de doenças. Isso acaba por facilitar o alastramento de qualquer doença. Então o mesmo cuidado que temos para outros vírus, deveremos usar, caso tenhamos casos de coronavírus no Brasil”. Em resumo, a dica é: cuide-se neste carnaval!
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