Jales, 31 de Agosto de 2026
SAÚDE

Pandemia e Prevenção: a importância de não ignorar os sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço apesar da quarentena

No mês de prevenção do câncer de cabeça e pescoço, conhecido como “Julho Verde”, o Hospital de Amo

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Pandemia e Prevenção: a importância de não ignorar os sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço apesar da quarentena
Dr. Filipe Minzon

No mês de prevenção do câncer de cabeça e pescoço, conhecido como “Julho Verde”, o Hospital de Amor destaca a importância de ficar atento aos sinais e sintomas da doença.

Uma das medidas de proteção ao contágio do novo coronavírus (COVID-19) é o distanciamento social e, por isso, desde que foi decretada a quarentena em todo país, muitas pessoas estão evitando sair de suas casas para realizar tarefas rotineiras, como por exemplo, ir ao médico. No mês de prevenção do câncer de cabeça e pescoço, o Hospital de Amor destaca a importância de não ignorar os sinais e sintomas da doença apesar do isolamento, evitando o diagnóstico tardio e diminuído as chances de cura.

No mesmo sentido, a campanha “Julho Verde”, que teve início no último dia primeiro, tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce desse tipo de câncer. Segundo a Sociedade Brasileira de Cabeça e Pescoço (SBCP), os tumores que a especialidade atende são uma denominação genérica dos cânceres que se localizam em regiões como boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe - onde é formada a voz - esôfago, tireóide e seios paranasais.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que o câncer de boca é, hoje, o quinto mais frequente entre os homens, com estimativa de 11.200 novos casos diagnosticados em 2020. Nas mulheres, prepondera o câncer da tireóide, sendo o quinto mais comum entre elas, com 11.950 novos casos diagnosticados neste ano.

 

SINAIS E SINTOMAS

Para os cirurgiões de cabeça e pescoço do Hospital de Amor Jales, Dr. Sávio Costa Paula e Dr. Filipe Minzon, apesar do momento difícil que estamos enfrentando, as pessoas devem estar atentas e observar os sinais que a doença apresenta. “Uma ferida na boca ou na língua que não se cicatriza, rouquidão, um sangramento sem motivo aparente, alteração na voz, dor ou incômodo ao engolir e nódulos no pescoço por mais de 21 dias, são sintomas que não devem ser ignorados”, esclareceu Paula.

FATORES DE RISCO

Segundo Minzon, existem fatores que aumentam a incidência da doença. “O hábito de fumar, tanto cigarro comum como o eletrônico ou narguilé, consumir em excesso bebidas alcoólicas, ter má higiene oral, ter alimentação pobre em frutas e vegetais ou ter dentes em mal estado de conservação, podem elevar as chances de o indivíduo desenvolver esse tipo de câncer durante sua vida”, afirmou.

Ele explica também que é importante não se expor ao sol sem proteção, por conta do câncer de pele muito comum na região da cabeça e pescoço. Outra questão fundamental é em relação ao vírus HPV, que também é responsável pelo aumento de casos de tumor nesta região. Crianças e adolescentes, entre 9 e 14 anos, devem ser vacinadas contra o HPV, o que evita a contaminação através de relações sexuais desprotegidas na vida adulta.

PREVENÇÃO

A melhor prevenção é manter-se afastado dos fatores de risco, ou seja, não fumar e não beber. Além disso, é importante manter sempre uma boa higiene bucal e procurar atendimento médico sempre que houver alguma lesão persistente em qualquer região da face.

 

HISTÓRIA INSPIRADORA

Em busca de emagrecimento, em outubro de 2017, a cerimonialista de Fernandópolis (SP), Aline Bueno de Mattos, 32 anos, descobriu um câncer de tireóide. “Procurei um nutrólogo para perder peso e ele solicitou vários exames para ver se estava tudo bem com a minha saúde. Todos os exames vieram normais, com exceção do Anti-TPO, que estava alterado. O médico, então, sugeriu que eu procurasse um endocrinologista. Agendei a consulta, mas já imaginei que precisaria de uma ultrassonografia, por isso, com ajuda da minha irmã (que trabalha em uma clínica de imagem), fiz o exame. A médica que realizou a ultrassom já me alertou sobre alguns nódulos na região do pescoço e me orientou a fazer uma pulsão”, explicou Aline.  

Ela conta que, após 15 dias da realização do exame, o resultado chegou e chocou toda a família. Segundo Aline, a confiança em Deus e o apoio da mãe e da irmã foram essenciais para que ela conseguisse seguir em frente e buscar forças para procurar ajuda. “Eu cheguei a passar por um médico particular, que esclareceu algumas questões sobre a cirurgia e o futuro tratamento, porém, as despesas do tratamento estavam fora da minha realidade. Foi nessa consulta que eu perguntei sobre o risco de perder a voz, uma questão muito importante pra mim. Aquele foi um dos momentos mais difíceis, pois a minha ficha caiu e eu senti medo”, contou a paciente. “Sempre falei que se tivesse que fazer quimioterapia ou radioterapia e perder o cabelo, que não seria tão impactante quanto perder a voz, pois desde sempre foi algo que eu dei muito valor. Infelizmente, esse era um risco e eu tive que aprender a lidar com isso”.

CHEGADA AO HOSPITAL DE AMOR

Aline, que já havia ouvido falar do trabalho do Hospital de Amor, procurou uma unidade básica de saúde e pediu encaminhamento para a instituição. Para ela, a recepção afetuosa muda a forma de encarar o tratamento.  “Desde o começo do tratamento eu já me senti muito abraçada pelo hospital. No meu primeiro dia, fui convidada para cantar com o coral da Associação Voluntária de Combate ao Câncer (AVCC) que estava se apresentando na recepção e, apesar da vergonha, foi experiência maravilhosa. Também me recordo com carinho da minha primeira consulta que foi bem esclarecedora, o que trouxe tranquilidade para que eu pudesse passar pelas fases da doença sem grandes complicações”, relatou.

O momento de marcar a cirurgia chegou e Aline conta que foi agendada para o dia 2 de Janeiro de 2018, porém a internação foi realizada no dia 1º, uma data especial, pois é um momento em que família está unida. Para ela, o apoio que recebeu da família e dos colaboradores foi extremamente importante para a sua recuperação. “No dia da internação eu podia sentir o afago das pessoas de longe, apenas pelo olhar, com sorriso, com a expressão. Ao entrar no quarto fiquei extremamente encantada com todos os detalhes, com tanto carinho e cuidado com que somos tratados pelas enfermeiras e todos os profissionais, eu brincava que estava hospedada em hotel”.

CIRURGIA E RECUPERAÇÃO

Ao sair da cirurgia, Aline conta que a maior a expectativa dela e da família era em relação as sequelas do procedimento. “Eu ainda estava na maca e minha irmã estava comigo. Com os movimentos, me senti enjoada e a primeira frase que disse assim que sai da cirurgia foi que queria vomitar. Na hora foi à maior alegria, pois ali já sabíamos que estava falando e, mesmo que baixinho, minha voz estava normal. Mais tarde o médico passou no meu quarto e perguntou se eu estava bem; ele também ficou muito surpreso por não estar rouca, pois é comum que pacientes nas mesmas condições que eu fiquem”, relatou.

Além da cirurgia, Aline também precisou passar por tratamentos complementares na instituição, incluindo um tratamento com iodoterapia, realizado na unidade de Barretos (SP). Atualmente, ela segue uma vida normal, fazendo apenas acompanhamento e fazendo uso de medicação. “40 dias após a minha cirurgia, eu voltei a cantar. Foi uma vitória, uma alegria que eu não consigo expressar. Todo o acompanhamento realizado com a fonoaudióloga do hospital foi um sucesso e pude voltar a fazer aquilo que eu amo. Com tudo isso que passei, eu percebo que enxergo o mundo de forma de diferente, dou mais valor à vida e a minha família, na qual passamos a demonstrar mais amor um pelo outro”, finalizou Aline.

GRATIDÃO AO HOSPITAL

Conhecendo a doença de perto e sabendo do trabalho que o Hospital realiza, Aline uniu um sonho à gratidão. A vontade de contar sua história de superação a mais pessoas, motivou a jovem a organizar uma live. Ao lado dos profissionais que fizeram parte do seu tratamento, ela pretende contar toda a sua trajetória durante uma transmissão on-line, de 24 a 27 de julho, em seu canal do Youtube. A paciente também irá divulgar o link de doação do Hospital para ajudar a sensibilizar as pessoas, para que continuem ajudando o HA a realizar essa importante missão.

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