Jales, 31 de Agosto de 2026
SAÚDE

A importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata

A campanha de conscientização “Novembro Azul”, voltada para as doenças masculinas, tem ênfase na prevenç

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A importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata

A campanha de conscientização “Novembro Azul”, voltada para as doenças masculinas, tem ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata — a fase inicial do tumor é silenciosa, por isso a importância da detecção precoce. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), esse tipo de câncer é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). A entidade prevê mais de 65 mil novos casos de câncer de próstata até o final de 2020.

Em seu estágio inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

De acordo com Marcelo José Sette, médico do ambulatório de urologia do Centro Clínico Dona Helena, de Joinville (SC), as causas do câncer de próstata não são completamente conhecidas, mas observa-se que a idade está relacionada: homens acima de 50 anos têm mais chance de desenvolver o tumor. Segundo o INCA, o câncer de próstata é considerado um “câncer da terceira idade”, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Fatores genéticos (hereditários), hábitos alimentares ou estilo de vida podem refletir no surgimento do câncer. O excesso de gordura corporal também aumenta o risco de câncer de próstata avançado. “Bons hábitos alimentares e de saúde física podem auxiliar na prevenção”, frisa o urologista.

Se não tratado, o câncer de próstata pode gerar outras complicações. “Dependendo do estágio da doença, as mais comuns são metástases em gânglios próximos à próstata, invasão da bexiga, levando à obstrução urinária e sangue na urina em grande quantidade, e, por último, metástases em ossos do corpo, como vértebras, bacia e crânio (geralmente provocando dor relevante)”, explica o profissional.

O diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados no tratamento. “O exame de sangue para avaliar a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) e o exame do toque retal são os mais eficientes na investigação do câncer de próstata”, aponta o médico. “Em casos iniciais, a cura é o objetivo do tratamento, podendo este ser feito de modo cirúrgico e/ou radioterapia, com excelentes resultados. Em casos mais agressivos ou mais avançados, o tratamento engloba o uso de medicações com resultados cada vez mais promissores”, destaca Marcelo. A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um. 

Depressão após o diagnóstico

O diagnóstico do câncer de próstata pode provocar um sofrimento psíquico significativo nos homens. O medo da morte e da dor, assim como a preocupação com a sexualidade e com possíveis alterações no funcionamento familiar, interferem sensivelmente no modo de pensar do paciente e alteram sua maneira de enxergar a vida. Estes sentimentos podem ser gatilhos para a aparição de episódios de transtornos de humor ou, até mesmo, para o desenvolvimento da ideação suicida.

 

O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre homens com mais de 50 anos. No Brasil, ele é o segundo tipo de câncer mais comum entre pessoas do sexo masculino, sendo responsável por 10% de todas as mortes causadas pela doença, atrás somente do câncer de pele não melanoma. Durante o 1º ano de diagnóstico do tumor, os pacientes apresentam taxa de incidência 77% maior de transtornos de humor quando comparada à população saudável. Esse risco persiste em até 47% dos enfermos mesmo após 1 ano de acompanhamento da doença.

Saber lidar e tratar corretamente os quadros de transtorno de humor pode melhorar significativamente o desfecho dos pacientes, resultando em mais qualidade de vida e maior adesão ao tratamento. Contudo, é necessário entender a variação do risco de suicídio por sexo, idade e tipo de tumor. No caso do câncer de próstata, é necessária uma avaliação do ponto de vista psiquiátrico principalmente em relação à depressão e ansiedade, provenientes da preocupação com a sexualidade, que podem envolver não apenas a disfunção erétil, mas também a incapacidade de sentir prazer ou de se satisfazer sexualmente o parceiro ou parceira.

 

A opção terapêutica vai depender da gravidade do quadro. O melhor a se fazer é direcionar o paciente para uma avaliação com um médico psiquiatria a fim de entender a melhor alternativa terapêutica. Caso outros membros da família já sofram com transtornos de humor, existe uma maior probabilidade de que ele desenvolva quadros semelhantes.

A conscientização e as campanhas relacionadas ao “Novembro Azul” são de extrema importância para rastrear o risco de desenvolvimento dessas doenças secundárias em pacientes oncológicos. Dessa forma, conseguimos tempo hábil para encaminhar esses homens aos serviços de saúde mental e, consequentemente, aumentar as chances de sucesso no tratamento.

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