Paciente oncológica cria ações para o “Outubro Rosa” e auxilia mulheres que passam pelos desafios do câncer de mama
Natália Scalabrini, uma das pessoas mais ativas na defesa dos direitos dos pacientes com câncer no Brasil promove ações par

Natália Scalabrini, uma das pessoas mais ativas na defesa dos direitos dos pacientes com câncer no Brasil promove ações para estimular a reconstrução mamária
Após ser diagnosticada com câncer de mama aos 28 anos de idade, a procuradora jurídica, Natália Scalabrini, se viu inserida no mundo oncológico. Para ela, aquele era um lugar totalmente desconhecido, onde não sabia sequer como obter informações seguras sobre a doença e tratamento.
Por conta do diagnóstico, muitos medos e dúvidas surgiram. Natália conta que teve de se afastar do emprego e conforme os dias foram se passando, buscava conhecimento sobre oncologia em livros e no mundo virtual. Durante este período, começou a notar que além da dificuldade do próprio tratamento, as pacientes ainda encontravam dificuldades para ter acesso ao tratamento, cenário esse que era intensificado no que diz respeito à reconstrução mamária.
Segundo a paciente, isso acontece porque as cirurgias de reconstrução das mamas não atuam na erradicação ou no controle do câncer de mama, ficando esquecidas num segundo plano. “O foco dos gestores em saúde é concentrar esforços para o tratamento da doença. No entanto, é preciso lembrar que além de oferecer tratamento à paciente é indispensável a cirurgia de reconstrução mamária que atua justamente nesta área. Erradicar o câncer e deixar uma mulher às margens da sociedade, sofrendo preconceito para relocação no mercado de trabalho, abandono afetivo, discriminação por chances de recidiva, depressão e baixa autoestima em razão da mutilação de seus corpos não me parece eficaz”, pontuou Natália.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Mastologia, em recente levantamento, apurou-se que apenas 20% das mulheres tiveram suas mamas reconstruídas no Brasil entre os anos de 2008 e 2015.
Ao ser questionada, a procuradora jurídica afirmou que esses dados são alarmantes e que precisam mudar. “Já enfrentei todo o processo, acredito que a primeira dificuldade está na paciente saber identificar se aquele procedimento de reconstrução mamária aplica-se ao seu caso. Elas não sabem sequer se tem esse direito e isso dificulta a darem o segundo passo na busca pela cirurgia”, afirmou.
Pensando em todas as mulheres que passam pelas dificuldades do processo, o Instituto Câncer Direitos cria para este ano importantes ações durante a Campanha de Outubro Rosa, que evidenciam o processo da reconstrução mamária. “É uma ação que faz parte da Campanha Outubro Rosa, diferente de tudo o que já vimos. Neste ano, não vamos falar de prevenção ao câncer de mama, mas sim de recomeços após o câncer de mama e não há como falar em recomeços ignorando a reconstrução mamária”.
As atividades da Campanha Outubro Rosa 2021 contam com conteúdos exclusivos e gratuitos que revelam, no passo a passo, como garantir a reconstrução mamária pelo SUS. As aulas poderão ser acessadas todas as terças-feiras do mês de outubro, sendo os dias 5, 12, 19 e 26, nas plataformas digitais do Instituto Câncer Direitos, no canal do Youtube, além do site www.cancerdireitos.com.br.
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