Fórum E-Commerce Brasil aponta caminhos práticos para as pequenas empresas

Entre 28 e 30 de julho, participei da 17ª edição do Fórum E-Commerce Brasil, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Ao lado dos consultores do Sebrae-SP Guilherme Gustavo Lui e Bruno José, acompanhei uma programação com mais de 62 mil participantes, 703 palestras e 813 especialistas. Também estiveram conosco mais de 20 empresários da região de Votuporanga, convidados pelo Sebrae-SP. Fomos com um objetivo claro: transformar tendências em decisões práticas.
Mais do que conhecer novas tecnologias, buscamos entender as mudanças que já afetam custos, vendas e relacionamento com os consumidores. A reforma tributária foi um dos temas centrais. As novas regras podem elevar o desembolso na compra de mercadorias e pressionar margens, sobretudo quando a empresa não conhece com precisão o custo de cada produto. Para as micro e pequenas empresas, será essencial revisar preços, créditos tributários, logística e rentabilidade por item.
Outro ponto que me marcou foi o avanço do social commerce. As redes sociais deixaram de ser apenas vitrines e passaram a integrar a jornada de compra. Vídeos curtos, demonstrações e transmissões ao vivo aumentam a confiança do consumidor. As live shops chegam com força ao TikTok Shop, Shopee, Amazon e Mercado Livre, aproximando entretenimento e venda em tempo real.
Nesse cenário, uma mensagem apareceu de forma recorrente: o melhor influenciador de uma marca é o próprio dono. Ninguém conhece melhor a história, os produtos, os clientes e os valores do negócio. Quando o empresário aparece com autenticidade, demonstra o produto e conversa com o público, cria uma conexão que grandes campanhas nem sempre conseguem reproduzir.
Também ficou claro que é importante estar nos principais marketplaces. Eles ampliam o alcance e facilitam o acesso a novos consumidores. Porém, depender somente dessas plataformas reduz o controle sobre dados, relacionamento e margem. Por isso, além de vender em diferentes canais, a empresa precisa fortalecer seu próprio site, sua base de clientes e seus canais diretos de comunicação.
A busca por produtos também mudou. O consumidor utiliza cada vez mais voz, imagem e perguntas completas para pesquisar. Google, YouTube e ferramentas de inteligência artificial influenciam a descoberta, a comparação e a decisão de compra. Mas a IA só consegue recomendar bem aquilo que a empresa informa corretamente. Títulos claros, descrições completas, boas fotos, código de barras correto, avaliações, prazo de entrega e política de troca tornaram-se parte da estratégia comercial.
Em breve realizaremos uma oficina para compartilhar tudo o que aprendemos sobre essas tendências. E saio do evento com uma convicção simples: em um mundo de inteligência artificial, fazer o básico bem-feito é o grande diferencial. Preço correto, prazo cumprido, frete transparente, atendimento eficiente e reputação bem cuidada continuam sendo a base de qualquer negócio competitivo.
Francisco Marques é consultor de negócios do Sebrae-SP.
