20 de Junho, 2026 12h06mRegião

Padre que ajudava refugiados e faleceu na Ucrânia é sepultado em Urânia

Na segunda-feira, dia 15 de julho, o corpo do Pe. Robson André Gavioli de Matos, missionário do Caminho Neocatecumenal, na Ucrânia, foi velado e sepultado no Noroeste Paulista, região onde nasceu e cresceu.

Na segunda-feira, dia 15 de julho, o corpo do Pe. Robson André Gavioli de Matos, missionário do Caminho Neocatecumenal, na Ucrânia, foi velado e sepultado no Noroeste Paulista, região onde nasceu e cresceu.

O velório iniciou na Paróquia São João Batista e Santuário das Almas, em São José do Rio Preto, com a Celebração Eucarística de corpo presente, presidida pelo Pe. André Murilo Alves, e acompanhada pelos pais do missionário, Osni e Cleusa.

“Em Deus não há tempo. Nós conhecemos o tempo porque está na nossa humanidade. O que nos consola nessa manhã é que Cristo venceu a morte. Também um dia estaremos com o padre Robson. No lugar da tristeza, possa ser essa a nossa esperança. Podemos sentir a falta desse nosso irmão, mas não cair em desespero”, partilhou o padre André.

os fiéis da Paróquia onde atuava o padre Robson, na Ucrânia, acompanharam a despedida. Padre Lucas Perozzi, responsável pelo translado do corpo até o Brasil, fez a tradução simultânea da Missa.

De Rio Preto, foi realizado o cortejo fúnebre com destino à cidade de Urânia, onde foi celebrada a Missa Exequial, na Igreja São Benedito, presidida pelo Bispo Diocesano de Jales, Dom Reginaldo Andrietta. Após a missa, o corpo do Pe. Robson foi sepultado no Cemitério Municipal de Urânia, sua cidade natal.

Carta do bispo ucraniano

O bispo ucraniano dom Eduard Kava, bispo de Kamianets-Podilskyi enviou uma carta:

“Agradeço-vos pelo vosso filho. Em apenas seis anos de Ministério Sacerdotal conseguiu cativar muitos corações. Ele amou a Ucrânia e o nosso povo. Ainda que tivesse a oportunidade de partir como estrangeiro, não teve medo de continuar e servir. Ele passou por muitas dificuldades e sofrimentos, mas não reclamava. Desejo destacar um traço particular do Pe. Robson: a firme fé no Cristo Ressuscitado”.

Pe. Lucas Perozzi

“Era inesperado (a morte após a cirurgia). Eu, por ser brasileiro, ajudei com todas as burocracias. O conhecia desde os tempos de seminário. O padre que o acompanhou disse que ele comungou, rezaram as vésperas. Depois da comunhão, rezaram o Terço. Ele conversou com seu pai Osni (por vídeo) e morreu. Esse acidente que ele teve no joelho também foi uma obra de Deus. Ele não reclamou nenhuma vez. O Pe. Robson entrou no hospital contente. Uma graça que o Senhor lhe deu foi a viagem (ao Brasil). Não era um tempo de férias. Foi uma despedida. Apesar de toda essa dor, me alegra ver que a família pode viver tudo isso na fé, apoiada em Cristo. Coragem. Que nos confortemos uns aos outros com essa palavra: Cristo está ressuscitado”.

Causa da morte

Pe. Robson André Gavioli de Matos faleceu no último dia 6 de junho, aos 36 anos. Segundo o pai, Osnir Alves de Mattos, a morte do filho ocorreu devido a uma tromboembolia desenvolvida no segundo dia após cirurgia no joelho, provocada por uma reação da anestesia.

Segundo o que informou Pe. Valdinei Lobo de Almeida, missionário do Caminho Neocatecumenal e pároco do Santuário das Almas e Paróquia São João Batista, de São José do Rio Preto, o problema no joelho aconteceu em fevereiro deste ano quando o “Pe. Robson esteve com os jovens da sua comunidade em um passeio pelas montanhas, um retiro como forma de esquecer as sirenes, os bombardeios e a guerra. Durante a caminhada ele escorregou e machucou o joelho. Devido à guerra, as cirurgias estão mais difíceis de serem realizadas, Pe. Robson entrou na fila de espera e só conseguiu a cirurgia na última semana, em Kiev, capital da Ucrânia”.

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Missão

Pe. Robson estava em missão na Ucrânia há 14 anos. Ordenado sacerdote no dia 20 de junho de 2021, ele iria completar neste mês, cinco anos como padre.

Ele estava atuando em uma paróquia na cidade de Khmelnytsky, onde prestava serviços religiosos à comunidade local, e serviços de acolhida e apoio a refugiados de guerra, oferecendo alimentação e abrigo temporário.

Segundo o Pe. Valdinei Lobo, Pe. Robson celebrava missas no Santuário das Almas, em Rio Preto, sempre que retornava ao Brasil. “Ele era muito querido, sempre alegre, próximo das pessoas e profundamente comprometido com a missão, principalmente com as crianças. A última missa que ele celebrou no Santuário das Almas foi em dezembro de 2025, quando ficou 15 dias para visitar a família”, disse.

Sua trajetória

Pe. Robson André Gavioli de Mattos é natural de Urânia, tendo sido batizado na Igreja Matriz São Benedito, desse município. A família se mudou para São José do Rio Preto quando ele tinha 2 anos de idade.

Durante sua trajetória religiosa, Pe. Robson manteve uma forte ligação com o Santuário das Almas, onde atuou como secretário e iniciou seu caminho vocacional.

Como membro do Caminho Neocatecumenal, ele foi enviado ao Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater, de Brasília, em 2011, para  estudos iniciais. Em 2012, ele aceitou ser enviado para estudar filosofia e teologia na Diocese de Vinnytsia, na Ucrânia.

Foi nesse país europeu que concluiu sua formação, recebendo a ordenação presbiteral em 2021, quando iniciou seu trabalho pastoral junto às comunidades locais em Khmelnytsky.

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