Leishmaniose: Noroeste Paulista tem mais da metade dos casos de SP e uma morte

A leishmaniose visceral voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde no interior de São Paulo. Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam 22 casos e duas mortes pela doença no Estado, sendo 12 casos e um óbito nas regiões de Rio Preto e Araçatuba. Outras seis ocorrências foram registradas na região de Presidente Prudente, com uma morte, e quatro nas regiões de Bauru e Marília.
No Noroeste Paulista, os casos estão distribuídos por diferentes municípios: Andradina, Fernandópolis, Votuporanga, Ilha Solteira, Birigui, Penápolis e Castilho.
O primeiro óbito registrado no Estado neste ano, segundo as informações da Secretaria Estadual de Saúde, ocorreu em Fernandópolis, em fevereiro. A vítima foi um homem de 67 anos, morador da zona norte do município.
Na região de Presidente Prudente, foram contabilizados casos em Presidente Prudente, Salmourão, Adamantina, Presidente Epitácio e Dracena. Salmourão registrou uma morte, o segundo óbito confirmado no estado. Já na região de Bauru, há um caso em cada cidade: Bauru, Marília, Tupã e Presidente Alves.
Região Noroeste Paulista - 12 casos e 1 morte
3 casos - Andradina
2 casos - Fernandópolis - 1 morte
2 casos - Votuporanga
2 casos - Ilha Solteira
1 caso - Birigui
1 caso - Penápolis
1 caso - Castilho
Região Oeste Paulista - 6 casos e 1 morte
2 casos - Presidente Prudente
1 caso - Salmourão - 1 morte
1 caso - Adamantina
1 caso - Presidente Epitácio
1 caso - Dracena
Região Centro-Oeste Paulista - 4 casos
1 caso - Bauru
1 caso - Marília
1 caso - Tupã
1 caso - Presidente Alves
Votuporanga mantém ações de controle
Em Votuporanga, onde foram registrados dois casos, as equipes de saúde realizam ações de controle e prevenção. Entre as medidas está a pulverização com inseticida na região onde reside a pessoa diagnosticada, além de atividades desenvolvidas durante todo o ano, como visitas às residências e orientação aos moradores.
A estratégia busca reduzir a presença do inseto transmissor e orientar a população sobre as condições ambientais que favorecem sua proliferação.
Mosquito-palha é o transmissor
A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa grave causada pelo protozoário Leishmania infantum. A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea infectada do flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha. O inseto é pequeno, de coloração amarelada ou semelhante à palha, e se desenvolve principalmente em ambientes úmidos, sombreados e ricos em matéria orgânica.
Na área urbana, o cão é a principal fonte de infecção para o vetor, mas não transmite a doença diretamente para uma pessoa pelo contato, saliva ou mordida. Para que ocorra a transmissão, o mosquito precisa picar um animal infectado e, posteriormente, picar uma pessoa.
Por isso, quintais com acúmulo de folhas, frutas em decomposição, fezes de animais e outros resíduos orgânicos podem oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento do mosquito.
Febre prolongada é um dos principais sinais
A leishmaniose visceral pode apresentar evolução lenta e os sintomas nem sempre aparecem imediatamente após a infecção. Entre os principais sinais estão febre prolongada e irregular, fraqueza, perda de peso, anemia, palidez e aumento do fígado e do baço, que pode provocar aumento visível do volume abdominal.
Diante desses sintomas, especialmente quando há febre persistente, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação. O diagnóstico e o início precoce do tratamento são importantes para evitar o agravamento da doença. O tratamento para os casos humanos está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Prevenção começa dentro de casa
O controle da leishmaniose visceral depende também da participação dos moradores. Uma das principais medidas é manter os quintais limpos e reduzir os locais que podem servir de criadouro para o mosquito-palha.
Entre as recomendações estão:
retirar regularmente folhas, frutos em decomposição, fezes de animais e outros materiais orgânicos acumulados no quintal;
manter jardins, terrenos e áreas externas limpos;
dar destino adequado ao lixo orgânico;
manter limpos os locais onde ficam os animais domésticos;
utilizar telas de malha fina em portas e janelas;
adotar medidas de proteção para os cães, conforme orientação veterinária e das autoridades de saúde;
colaborar com as equipes de saúde durante ações de controle e investigação;
procurar atendimento médico diante de sintomas compatíveis com a doença.
A Secretaria de Estado da Saúde também recomenda medidas de manejo ambiental, como a retirada de matéria orgânica do solo, além de proteção dos cães contra a picada do vetor.
Atenção aos animais
Os cães podem estar infectados mesmo sem apresentar sinais aparentes. Por isso, em municípios ou áreas com transmissão, o acompanhamento pelas equipes de vigilância e pelos serviços veterinários é importante.
Entre os sinais que podem aparecer em cães estão emagrecimento, perda de pelos, alterações na pele, feridas, apatia, crescimento exagerado das unhas e alterações oculares. A avaliação e os exames devem ser realizados pelos serviços responsáveis.
Com casos registrados em diferentes municípios do interior paulista, o cenário reforça que a prevenção depende de uma ação conjunta entre poder público e população. A limpeza dos quintais, o cuidado com os animais e a atenção aos sintomas são medidas simples que ajudam a reduzir as condições favoráveis ao mosquito-palha e permitem que casos suspeitos sejam identificados mais rapidamente.






