RESOLUÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DE CONFLITOS NO ÂMBITO ESCOLAR
Idenir Rode Lopes Mestranda em Educação, PEB I, PEB II, vice-diretora de escola. O conflito no âmbito escolar é tema de muito estudo.
Idenir Rode Lopes
Mestranda em Educação, PEB I, PEB II, vice-diretora de escola.
O conflito no âmbito escolar é tema de muito estudo. Como os profissionais da escola lidam com os conflitos entre alunos? Como os profissionais da escola lidam com os conflitos de maneira mais abrangente? Pensando sobre isso, tecemos algumas considerações…
“…a educação para a paz visa o desenvolvimento de competências de comunicação,… sensibilidade à diversidade cultural, enquadrando-se numa perspectiva multi e intercultural, não preconceituosa, e de resolução alternativa de conflitos”. (Sommers, 2003 citado em Jones, 2004).
“A mediação escolar tem a tarefa de modificar toda a cultura escolar para a prática de resolução de conflitos não violenta”. (Cascón Soriano, 2007)
A condição de península é a própria condição humana. É o que somos e o que merecemos continuar sendo. Assim [...], em toda casa, em toda família, em toda conexão humana, o que realmente temos é uma relação entre uma série de penínsulas. Precisamos lembrar disso, antes de tentar modelar-nos, obrigar-nos uns aos outros a mudar de posição e fazer a pessoa ao lado adotar nosso modo de ser, quando ela realmente necessita contemplar o oceano por um momento. E isso é verdade em relação a grupos sociais, culturas, civilizações, nações [...]. ( OZ, 2004, p. 37)
O conflito é tomado como uma dimensão natural e inevitável da existência humana que, se for conduzido eficazmente, pode constituir uma importante experiência de desenvolvimento pessoal. “A aprendizagem de competências de resolução de problemas deve, assim, constituir uma oportunidade para os indivíduos construírem soluções mais positivas e mais pacíficas para os seus conflitos”. (Morgado, Oliveira, 2009, p.43)
O objetivo das propostas de resoluções de conflitos não é eliminar o conflito, uma vez que o conflito está na base da sociedade democrática, mas sim ajudar as partes a encontrarem formas de resolução dos conflitos, formas não violentas. O conflito faz parte da sociedade e ele pode ser uma força de mudança social. (Funiber 2020, p.4)
No que se refere à indisciplina, Fanfani (2000) salienta:
Que os jovens são portadores de conhecimentos, valores e comportamentos adquiridos em seu meio social, que não coincidem com a cultura escolar e/ou com os conteúdos escolares, pois esta não é mais a única instituição a deter conhecimento e informações, agora disponíveis em mídias digitais.
Para o autor, enquanto os programas escolares apresentam homogeneidade, sistematização, continuidade, coerência e ordem, as culturas juvenis se mostram flexíveis, instáveis e fragmentadas. Essas diferentes lógicas que convivem no espaço escolar entram em conflito, o que acaba por gerar, frequentemente, a resistência de jovens e adolescentes ao que as escolas propõem configurando e/ou ampliando práticas de indisciplina. Na mesma direção, para Debarbieux (2002), “o que se denomina “violência” pode se referir a agressões graves ou a pequenas incivilidades comuns à faixa etária que frequenta os bancos escolares, não havendo limites definidos entre essas polaridades”.
MEDIAÇÃO DO CONFLITO - Para superar essas adversidades, as características internas das escolas desempenham um papel essencial ao fazerem a mediação com o contexto onde se localizam. Depois de identificado o conflito, será necessário a elaboração de diferentes alternativas para a resolução do problema, “deve-se reunir os requisitos mínimos de formação que se estabelecem para a mediação, além de contar com o conhecimento do sistema educativo, a sua estrutura, organização e sistema de relações”. (Funiber 2020, p.19)
Segundo as autoras Martins, Furlanetto e Machado:
Quando não estão atentas às especificidades da comunidade, as escolas tendem a não trabalhar de forma coerente essas manifestações. É necessário, sobretudo, que gestores, professores e funcionários compreendam a dimensão dos problemas trazidos pelos alunos, construindo um ambiente coletivo de apoio para evitar e/ ou superar sentimentos de marginalização e insegurança no espaço escolar.
“Identificados os principais atores que estão envolvidos no processo de mediação escolar, é também importante que se destaque o perfil e os princípios da pessoa que faz a mediação”. (Nascimento et al. , 2010, p. 35-36)
À pessoa, na mediação deste conflito apresentado, é mister fazer uso de algumas competências e alguns princípios, entre eles vamos destacar alguns:
Princípio 1: Capacidade comunicativa;
Princípio 2: Capacidade de escuta.
Dialogar com os estudantes, escutá-los nas suas explicações afim de entender o contexto e identificar os possíveis geradores do conflito, embasando-se na “…necessidade de articular meios para contribuir com a resolução e superação de conflitos”… (FUNIBER, 2020)
Princípio 3: Sensibilidade;
Princípio 4: Ética e supremacia dos direitos humanos.
Levar os estudantes à reflexão sobre o respeito mútuo, a entender os termos legais de que todas as pessoas são iguais em direitos e deveres, e que “toda a pessoa têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” (Declaração Universal dos Direitos Humanos, Art III) Ninguém tem o direito de postergar o outro nem de lhe causar dor, agredir ou amedrontar. É importante conduzi-los a este entendimento.
Princípio 5: Estilo cooperativo.
Incentivar o estilo cooperativo nos alunos e jamais incentivar a competição entre as partes. O mediador deve desencorajar a competição, pois gera mais conflito. Deve-se estimular a conquista do respeito e do espaço de cada um, gerando uma ação educativa e transformadora.
“A perspectiva intercultural que defendo quer promover uma educação para o reconhecimento do ‘outro’, para o diálogo entre os diferentes grupos sociais e culturais. Uma educação para a negociação cultural, que enfrenta os conflitos provocados pela assimetria de poder entre os diferentes grupos socioculturais nas nossas sociedades e é capaz de favorecer a construção de um projeto comum, pelo qual as diferenças sejam dialeticamente incluídas.” (Candau, 2008, p. 23)
CONSIDERAÇÕES FINAIS - O conflito é tomado como uma dimensão natural e inevitável da existência humana que, se for conduzido eficazmente, pode constituir uma importante experiência de desenvolvimento pessoal. A aprendizagem de competências de resolução de problemas deve, assim, constituir uma oportunidade para os indivíduos construírem soluções mais positivas e mais pacíficas para os seus conflitos.
Os conflitos interpessoais, segundo Maria Dolores (2015), acontecem na instituição, mas que vão muito além dela. Esse tipo é uma certa reprodução da sociedade em que está localizado. Sendo, aparentemente, reflexo um do outro”. O importante é pensarmos em “estimular uma cultura de Paz, que se baseia no respeito às diferenças, à diversidade, às diferenças culturais e individuais dos povos”. (Archundia, 2018, p.174.)
Não se forma cidadão participativo, criativo e crítico nas relações homogêneas, escola é feita de diversidade, de pessoas de interculturalidade: conflito➡️mediação➡️transformação. Se o conflito é inevitável, o diálogo, a resolução e transformação de seres humanos é primordial para a cultura da paz.
