
Enquanto a universalização do saneamento básico ainda é um desafio para a grande maioria dos municípios brasileiros, Jales se consolida como uma das principais referências do país no setor. O município paulista alcançou a pontuação máxima de 500 pontos no Ranking ABES da Universalização do Saneamento 2026, figurando entre as cidades mais bem avaliadas do Brasil e integrando um seleto grupo de apenas 94 municípios que atingiram a categoria máxima do levantamento.
O resultado ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional. A sete anos do prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento, apenas 3,67% dos 2.558 municípios avaliados pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) conseguiram alcançar os indicadores considerados ideais para a universalização dos serviços. Os dados têm como base informações oficiais do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) referentes a 2024.
Entre os municípios de pequeno e médio porte, Jales está entre as cinco cidades paulistas que obtiveram nota máxima no ranking, ao lado de Cardoso, Gastão Vidigal, Paranapuã e Santópolis do Aguapeí. Leme, que tem cerca de 100 mil habitantes, também atingiu a pontuação máxima. O desempenho coloca o município de Jales em posição de destaque não apenas no Estado de São Paulo, mas também no cenário nacional, servindo como exemplo de planejamento, gestão e investimentos em infraestrutura sanitária.
O Ranking ABES avalia cinco dimensões fundamentais do saneamento básico: abastecimento de água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto, coleta de resíduos sólidos domiciliares e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos urbanos. A pontuação máxima alcançada por Jales demonstra equilíbrio e eficiência em todos esses componentes, considerados essenciais para a qualidade de vida da população e para o desenvolvimento sustentável das cidades.
Segundo a ABES, os resultados do levantamento evidenciam que o saneamento deve ser tratado como uma das principais agendas estruturantes do país. Embora o abastecimento de água tenha avançado em diversas regiões, o Brasil ainda enfrenta gargalos importantes na coleta e no tratamento de esgoto, além de desafios relacionados à gestão de resíduos sólidos e às desigualdades regionais.
“Quando o saneamento avança, a doença recua. Investir em saneamento é reduzir internações, proteger crianças, aliviar o sistema de saúde e gerar retorno social para o país”, afirma Marcel Sanches, presidente nacional da ABES.
Os dados do ranking reforçam essa relação. Municípios com melhores indicadores de saneamento apresentam índices significativamente menores de internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, como diarreias, hepatite A, cólera e febre tifoide.
O desempenho de Jales demonstra que a universalização do saneamento é uma meta possível quando há planejamento de longo prazo, gestão eficiente e compromisso contínuo com investimentos em infraestrutura urbana. O próprio ranking aponta que os municípios mais bem avaliados são aqueles que possuem instrumentos consolidados de planejamento, como o Plano Municipal de Saneamento Básico, e que tratam o setor como prioridade estratégica.
Além dos impactos na saúde pública, o saneamento também desempenha papel fundamental na proteção ambiental e na adaptação às mudanças climáticas. Sistemas eficientes de coleta e tratamento de esgoto contribuem para a preservação dos recursos hídricos, enquanto a gestão adequada dos resíduos reduz riscos de contaminação, enchentes e degradação ambiental.
Em um cenário nacional marcado por profundas desigualdades regionais e por desafios que ainda precisam ser superados para o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento até 2033, Jales se destaca como um exemplo concreto de que a universalização pode ser alcançada. O reconhecimento obtido no Ranking ABES 2026 reforça o protagonismo do município e evidencia a importância de políticas públicas consistentes para garantir qualidade de vida, desenvolvimento econômico e sustentabilidade para a população.
Municípios em destaque no Brasil
Entre os municípios de grande porte, Leme (SP) lidera o ranking com pontuação máxima de 500 pontos, seguido por Balneário Camboriú (SC), com 499,12, e Santa Bárbara d’Oeste (SP), com 498,48.
Entre as capitais, Curitiba (PR) apresenta o melhor desempenho, com 497,53 pontos, sendo a única capital classificada na categoria Rumo à Universalização. Salvador (BA), Brasília (DF), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Aracaju (SE) aparecem na segunda categoria, Compromisso com a Universalização.
Entre os municípios de pequeno e médio porte, cinco cidades paulistas alcançaram a pontuação máxima de 500 pontos: Cardoso, Gastão Vidigal, Jales, Paranapuã e Santópolis do Aguapeí. Também se destacam municípios como Lençóis Paulista (SP), com 497,59 pontos, Fernandópolis (SP), com 496,23, e Jaboticabal (SP), com 495,74.
Na outra ponta, a categoria Primeiros Passos para a Universalização reúne municípios que ainda enfrentam déficits estruturais relevantes em diferentes componentes do saneamento. Entre os municípios de grande porte, estão Castanhal (PA), Marabá (PA), Santarém (PA), Caxias (MA), Balsas (MA), Itapipoca (CE) e Maranguape (CE).
Entre as capitais, Porto Velho (RO) registra o menor desempenho, com 239,04 pontos, seguida por capitais da região Norte que também apresentam desafios relevantes, como Belém (PA), Macapá (AP) e Manaus (AM).
Sobre o Ranking ABES da Universalização do Saneamento
Publicado anualmente pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), o Ranking ABES da Universalização do Saneamento avalia o desempenho dos municípios brasileiros com base em cinco indicadores oficiais do SINISA: abastecimento de água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto, coleta de resíduos sólidos domiciliares e destinação final adequada dos resíduos sólidos urbanos.
Na edição de 2026, foram avaliados 2.558 municípios, que representam cerca de 80% da população brasileira. O estudo classifica as cidades em quatro categorias: Rumo à Universalização, Compromisso com a Universalização, Empenho para Universalização e Primeiros Passos para a Universalização.



















