Dom Reginaldo participa da abertura do Programa de Formação em Buenos Aires

Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales e coordenador internacional da Rede do Trabalho Organizado (RETO), que integra o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), participou no último dia 14 de outubro, da abertura do programa de formação “Trabalho, dignidade e justiça social”, que foi realizada na sede da Confederação Geral do Trabalho em Buenos Aires, Argentina.
O programa tem como objetivo avançar na convergência entre Igreja, movimentos sociais e organizações sindicais em uma formação à luz da Doutrina Social da Igreja, visando os direitos sociais desde uma perspectiva da América Latina e do Caribe.
A formação é uma iniciativa da Frente de Sindicatos do Setor Público, com o apoio da RETO, Universidade Latinoamericana das Periferias (ULPE), e do Celam, por meio do Centro de Programas e Redes de Ação Pastoral (Ceprap).
O programa nasce como uma resposta regional às crescentes transformações no mundo do trabalho e seu impacto nos trabalhadores, seus desafios sociais, tecnológicos e climáticos.
O painel inaugural foi formado por líderes regionais e internacionais, incluindo Dom Reginaldo. De acordo com o bispo, o objetivo é reforçar a liderança política, sociolaboral e a capacidade de incidência dos dirigentes sindicais do setor público na América Latina e Caribe.
Mundo do trabalho
Durante apresentação, Dom Reginaldo lembrou sua trajetória e relação com o mundo do trabalho desde sua infância, no seminário e em seu sacerdócio, quando assumiu compromissos como conselheiro nacional da Juventude Operária Cristã (JOC) e, posteriormente, desenvolveu seu trabalho de acompanhamento de trabalhadores em diferentes países da América e da África.
Dom Reginaldo situou a defesa dos direitos trabalhistas na Doutrina Social da Igreja, especialmente a partir da encíclica Rerum Novarum, publicada pelo Papa Leão XIII. Entre os direitos que ele destacou incluem o salário digno, os limites da jornada de trabalho, descanso semanal, férias, aposentadoria, proteção de mulheres e crianças e liberdade de associação.
O bispo também relacionou a Doutrina Social da Igreja com o diálogo social promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), cuja estrutura dialoga com os Estados, empregadores e trabalhadores. Na sua opinião, o diálogo encontra pontos de convergência com os princípios da Doutrina Social da Igreja: dignidade humana, destino universal dos bens, o bem comum, a primazia do trabalho sobre o capital e a solidariedade.
Organizações Sindicais
Dom Reginaldo abordou, também, o papel das organizações sindicais na construção de uma sociedade mais justa. Recuperando as reflexões do Papa Francisco sobre movimentos populares e sindicatos, Dom Reginaldo sustentou que as organizações são chamadas a superar uma visão limitada aos interesses dos seus próprios afiliados.
O bispo elencou desafios trabalhistas relacionados à crise socioambiental e à necessidade de promover uma Ecologia Integral. Em seu discurso, ele conectou as contribuições das encíclicas Laudato si' e Fratelli tutti, do Papa Francisco, com reflexão contemporânea sobre os impactos da cultura digital e das transformações do modelo econômico, se referindo, também, a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV.
O bispo também apelou aos sindicatos para que expandam a sua solidariedade para além das suas filiadas, combatam a corrupção e contribuam para a sensibilização para o cuidado e a justiça social.
Por fim, Dom Reginaldo valorizou o lançamento do programa como uma oportunidade de avançar na formação de líderes capazes de vincular a defesa de direitos trabalhistas com os princípios da Doutrina Social da Igreja e as necessidades dos povos latino-americanos e caribenhos.
O programa
De acordo com informações do Celam, o programa inclui cinco encontros de capacitação e a participação de 50 líderes da América Latina e do Caribe. A agenda aborda a liberdade sindical e o direito à greve; a violência e o assédio no mundo do trabalho; as migrações e as tarefas de cuidado; os desafios trabalhistas ligados às plataformas digitais; e a proteção dos direitos dos trabalhadores por meio de acordos internacionais e da Doutrina Social da Igreja.
A iniciativa visa garantir que a formação não se limite ao estudo teórico, mas que se traduza em ferramentas para a ação sindical e comunitária. A articulação entre a experiência dos trabalhadores, os instrumentos jurídicos internacionais e a reflexão eclesial constituem um dos seus principais eixos.
Os participantes afirmaram que, diante da desigualdade, da precariedade e das transformações do mundo do trabalho, a cooperação entre sindicatos, Igreja e movimentos sociais pode abrir caminhos para defender a dignidade das pessoas e promover uma sociedade mais justa.






