07 de Junho, 2026 08h06mArtigo

A importância de preservar uma comunicação humanizada em tempos digitais

Pe.

Pe. José Antonio Soares
Assessor Eclesiástico da Pastoral da Comunicação Diocesana 
e Vigário na Paróquia São Francisco Xavier de Pereira Barreto

Celebramos recentemente, no Domingo da Ascensão do Senhor, o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Todos os anos, essa data convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre o papel da comunicação na vida humana, na convivência social e na missão evangelizadora. Neste ano, o Papa Leão XIV propôs um tema profundamente atual: “Preservar vozes e rostos humanos”.
Vivemos um tempo de rápidas transformações tecnológicas. A inteligência artificial, os algoritmos e as plataformas digitais mudaram profundamente a maneira como nos comunicamos e nos relacionamos. Nunca estivemos tão conectados. Ao mesmo tempo, cresce o risco de uma comunicação superficial, marcada pela pressa, pela desinformação e pela perda da autenticidade nas relações humanas.
Na sua mensagem, o Papa recorda que o rosto e a voz são muito mais do que características externas. Eles expressam a identidade, a história e a dignidade de cada pessoa. São sinais concretos de presença, proximidade e encontro. Preservar rostos e vozes humanas significa preservar aquilo que existe de mais verdadeiro em nossa convivência.
O Santo Padre não condena a tecnologia. Pelo contrário, reconhece seus benefícios e possibilidades. Contudo, alerta para os perigos de uma comunicação desumanizada, guiada apenas pela busca de atenção, pelas bolhas digitais e pelas relações artificiais criadas no ambiente virtual. Em um dos trechos mais fortes da mensagem, afirma: “É necessário que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa.” A frase resume um dos grandes desafios do nosso tempo: utilizar os meios digitais sem perder a capacidade de escutar, dialogar e encontrar verdadeiramente o outro.
Essa mesma preocupação aparece na primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas (“Magnífica Humanidade”), dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Publicada em 25 de maio, a encíclica foi assinada no contexto dos 135 anos da histórica Rerum Novarum (“Das Coisas Novas”), escrita pelo Papa Leão XIII em 1891. Se, no fim do século XIX, a Igreja levantou sua voz diante das feridas causadas pela Revolução Industrial e da exploração dos trabalhadores, hoje volta seu olhar para os desafios éticos da revolução tecnológica e digital. Em tempos marcados pela inteligência artificial, pelos algoritmos e pela automação, o Papa recorda que o verdadeiro progresso só existe quando a tecnologia permanece a serviço da pessoa humana, da dignidade, das relações e da fraternidade.
As reflexões do Papa Leão XIV inspiram tanto a sociedade quanto a Igreja a redescobrirem o valor de uma comunicação verdadeiramente humana. Em meio aos avanços tecnológicos, somos chamados a utilizar os meios digitais com responsabilidade, ética e sensibilidade, colocando sempre a dignidade da pessoa no centro. Para a sociedade, isso significa fortalecer uma cultura de responsabilidade, cooperação e educação diante das novas tecnologias, promovendo relações mais conscientes, éticas e verdadeiramente humanas; para a PASCOM, significa ir além da simples produção de conteúdos ou da presença nas redes sociais, renovando a missão de evangelizar com proximidade, verdade e espírito de comunhão.
 

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