
O Dia dos Namorados costuma ser associado a vitrines decoradas, caixas de chocolates, flores e reservas em restaurantes. Mas, por trás dos símbolos românticos que marcam a data, existe um fenômeno interessante que merece atenção, a mudança no comportamento do consumidor brasileiro.
Durante muitos anos, datas comemorativas eram impulsionadas principalmente pela compra por impulso. O consumidor deixava para decidir na última hora o presente, o local da comemoração e até mesmo quanto poderia gastar. Hoje, porém, os sinais apontam para uma realidade diferente. A pesquisa mais recente realizada pelo Sebrae-SP mostra um consumidor mais planejado, mais conectado e mais atento ao custo-benefício de suas escolhas.
Os números revelam que a maioria das pessoas pretende organizar suas compras com antecedência. Mais do que isso, boa parte dos consumidores inicia a busca por informações semanas antes da data. Esse movimento demonstra uma mudança importante na forma de consumir. Em vez de agir apenas pela emoção do momento, o consumidor compara preços, pesquisa referências e avalia alternativas antes de tomar uma decisão.
As redes sociais desempenham um papel central nesse processo. O Instagram, por exemplo, já rivaliza com as lojas físicas como fonte de pesquisa para presentes e serviços. Isso significa que a jornada de compra não começa mais na vitrine da rua principal ou do shopping. Ela começa na tela do celular, em um ambiente onde a informação circula rapidamente e onde a atenção do consumidor é disputada a cada segundo.
Outro aspecto que chama a atenção é a valorização crescente das experiências. Embora roupas, cosméticos, perfumes e chocolates continuem entre os itens mais procurados, a intenção de comemorar a data fora de casa permanece elevada. Restaurantes, bares e pizzarias seguem entre as principais escolhas dos casais. O dado sugere que o consumidor não busca apenas um produto, mas também momentos de convivência e lembranças que possam ser compartilhadas.
Essa tendência acompanha uma transformação observada em diferentes segmentos da economia. Cada vez mais, as pessoas procuram significado em suas compras. O valor percebido não está apenas no objeto adquirido, mas na experiência proporcionada por ele. Um jantar, uma viagem curta ou uma celebração especial podem gerar mais satisfação do que um presente tradicional.
Outro dado relevante é a disposição de parte significativa dos consumidores em gastar mais do que no ano anterior. Em um cenário econômico ainda marcado por desafios, esse comportamento pode ser interpretado como um sinal moderado de confiança. Não significa necessariamente um consumo sem limites, mas demonstra que muitos brasileiros estão dispostos a reservar uma parcela maior do orçamento para celebrar datas consideradas importantes.
Ao mesmo tempo, qualidade, preço e promoções continuam sendo fatores decisivos na escolha de onde comprar. O romantismo existe, mas ele convive com uma postura cada vez mais racional. O consumidor quer agradar quem ama, mas também quer ter a certeza de que fez uma boa compra.
Talvez essa seja a principal lição deixada pelo Dia dos Namorados de 2026. Mais do que movimentar vendas ou aquecer setores específicos da economia, a data ajuda a revelar como os hábitos de consumo estão evoluindo. O consumidor continua disposto a celebrar, presentear e criar memórias. A diferença é que agora ele faz isso de maneira mais planejada, informada e consciente.
Roberta Zuculoto é analista de negócios do Sebrae-SP.




















