
No Brasil, cerca de 90% das empresas possuem perfil familiar, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae, 2023). Esses negócios respondem por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) e empregam aproximadamente 75% da mão de obra do país. Apesar de sua relevância econômica e social, muitos desses empreendimentos enfrentam dificuldades para se manter ativos ao longo do tempo.
Dados do próprio Sebrae mostram que 29% dos Microempreendedores Individuais (MEI), 21,6% das Microempresas (ME) e 17% das Empresas de Pequeno Porte (EPP) encerram suas atividades após o quinto ano de funcionamento, independentemente de serem familiares ou não. Entre os principais fatores que levam ao fechamento estão a falta de preparo do empreendedor, a ausência de planejamento, dificuldades no ambiente empresarial e, sobretudo, falhas na gestão financeira.
Grande parte das micro e pequenas empresas enfrenta obstáculos que comprometem a continuidade dos negócios e a competitividade no mercado. É comum observar a falta de familiaridade dos empresários com ferramentas básicas de gestão, como o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE), o fluxo de caixa, a projeção de gastos e a correta formação do preço de venda. Outro ponto crítico é a inexistência de critérios claros para a retirada de pró-labore e, principalmente, a mistura das despesas pessoais com as despesas da empresa.
Embora pareça um tema óbvio, o planejamento financeiro ainda está longe de fazer parte da rotina de muitos empreendedores. Planejar significa projetar receitas e despesas, analisar resultados e antecipar problemas, permitindo avaliar com mais precisão a real saúde financeira do negócio. Sem esse controle, o empresário toma decisões no improviso, o que aumenta os riscos e reduz as chances de crescimento.
Nas empresas de gestão familiar, esse desafio costuma ser ainda maior. Um dos erros mais recorrentes é tratar o caixa da empresa como uma extensão do orçamento doméstico. Separar as finanças pessoais das finanças do negócio é um dos primeiros e mais importantes passos para uma gestão eficiente e profissional.
Não existe um modelo único de controle financeiro. O melhor sistema é aquele que o empresário realmente utiliza. Pode ser um software de gestão, uma planilha eletrônica ou até um simples caderno. O essencial é registrar diariamente todas as movimentações, tanto as entradas quanto, principalmente, as saídas, para identificar claramente o que é despesa da empresa e o que é gasto pessoal — como retiradas do caixa para despesas domésticas.
Para auxiliar nesse processo, o Sebrae-SP oferece cursos, consultorias e orientações práticas voltadas à implantação de controles financeiros simples e eficientes. O objetivo é ajudar o micro e pequeno empresário a organizar suas finanças, fortalecer a gestão e garantir maior estabilidade e crescimento sustentável ao negócio.
No fim das contas, controlar as despesas não é burocracia. É cuidado com a empresa, com a família e com o futuro.
Mariluci Castelete é analista de negócios do Sebrae-SP e foi Agente Local de Inovação (ALI) Produtividade na região de Jales.




















