
Passado o Dia das Mães, fica uma reflexão importante para o comércio local: mais do que uma data de grande movimento nas lojas, ela continua sendo uma das ocasiões mais afetivas do nosso calendário. É uma data que mexe com lembranças, gratidão, cuidado e reconhecimento. Afinal, falar de mãe é falar de presença, de formação, de amor e de tudo aquilo que ajuda a construir quem somos.
Por isso, escolher um presente para o Dia das Mães nem sempre é uma decisão simples. O consumidor não está apenas procurando um produto. Ele está buscando uma forma de demonstrar carinho por alguém muito especial. E é justamente essa carga emocional que, muitas vezes, faz com que a decisão de compra fique para os últimos dias.
Nos últimos anos, os pequenos negócios têm percebido com mais força esse comportamento: muitas pessoas deixam para comprar o presente na reta final, seja por falta de tempo, dúvida sobre o que escolher ou receio de não acertar. As chamadas compras de última hora, que antes eram vistas apenas como improviso, hoje precisam ser entendidas como parte da estratégia comercial.
Para o comércio físico e local, esse comportamento pode ser muito positivo. Quando o cliente chega à loja com pressa, dúvida e necessidade de resolver um problema, ele valoriza ainda mais quem oferece agilidade, bom atendimento e uma solução pronta. Nesse momento, o pequeno negócio que preparou kits, sugestões por faixa de preço, embalagens bonitas, opções de pagamento facilitadas e atendimento rápido sai na frente.
O levantamento do Sebrae-SP sobre o Dia das Mães mostrou que 63% dos consumidores afirmaram planejar suas compras com antecedência, sendo que 39% realizariam as compras entre 7 e 14 dias antes da data. Mas a prática mostra que uma parte significativa do público ainda toma a decisão muito perto da comemoração. Isso reforça uma lição importante: não basta divulgar cedo; é preciso manter força comercial até o último momento.
Outro ponto relevante é a presença digital. As redes sociais apareceram como um dos principais canais de pesquisa dos consumidores. Isso significa que, antes de sair de casa ou trocar de mensagens, muita gente procura ideias, compara opções e busca inspiração nas redes sociais. O comércio local que mostra seus produtos, cria sugestões de presentes e facilita a decisão do cliente aumenta suas chances de conversão.
Mas o grande aprendizado do Dia das Mães é que, em datas afetivas, não se vende apenas preço ou produto. Vende-se significado. Uma flor, um perfume, uma roupa, um chocolate ou um acessório ganham mais valor quando são apresentados como uma forma de carinho, lembrança e reconhecimento. O cliente quer acertar no presente, e o papel da empresa é ajudá-lo nessa escolha.
Agora que a data passou, é hora de avaliar o que funcionou. O estoque estava adequado? A equipe estava preparada? A comunicação começou no momento certo? Houve divulgação suficiente nos últimos dias? O atendimento pelo WhatsApp foi rápido? As redes sociais ajudaram o cliente a decidir? As opções de presente estavam claras e bem apresentadas?
Essas respostas são importantes porque junho já traz uma nova oportunidade: o Dia dos Namorados. Assim como o Dia das Mães, essa também é uma data de forte apelo emocional e, muitas vezes, de grande indecisão na escolha do presente ideal. E, novamente, muitos consumidores deixarão a compra para a reta final.
Por isso, a pergunta que fica aos empreendedores de Votuporanga e região é: o que o Dia das Mães ensinou ao seu negócio?
Francisco Marques é consultor de negócios do Sebrae-SP




















